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Construção civil - Lugar de mulher é no canteiro

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Dona Darte, aos 47 anos, trabalha na construção civil. É casada, mãe de cinco filhos homens e avó de três crianças. Venceu a barreira do preconceito e se inseriu em um mercado predominantemente masculino

Elas estão, literalmente, botando a mão na massa na construção civil. Na Capital cearense, alguns canteiros de obras já absorvem mulheres no quadro funcional. Assim acontece na construção do Hospital da Mulher de Fortaleza, no Jóquei Clube.

Nesta obra, foi lançado o programa Mulheres Pedreiras no dia 24 de abril de 2009. É, segundo a Prefeitura, uma ação afirmativa sobre a inserção das mulheres no mundo do trabalho, rompendo com a segregação ocupacional. À época, 13 mulheres já haviam sido cadastradas na obra para aguardar frentes de serviço - as primeiras seis iniciaram os trabalhos um pouco antes - no dia 7 de abril.

Por lá, inicialmente, chegaram Liduína, Veroneide, Cátia, Maria Vieira, Rosilene e Maria Aparecida. Depois foi a vez de outras quatro trabalhadoras, como Maria de Sousa Lima, a mais velha do grupo formado por nada menos do que10 pedreiras.

Dona Darte, como é conhecida, já trabalhou como auxiliar de cabeleireira, doméstica e zeladora. No entanto, se diz mais realizada com o seu atual emprego. Aos 47 anos, casada com outro trabalhador da construção, mãe de cinco filhos - todos homens com idades que variam entre 17 e 27 - e avó de três crianças, ela conseguiu vencer a barreira do preconceito e se inserir em um mercado, predominantemente masculino.

"Eu gosto de ser pedreira, me identifico com a profissão. Como passei tempo demais sendo dona de casa, foi uma grande vitória eu ter tido coragem de sair para trabalhar, mesmo depois dos 40 anos", afirma. Mas, ainda existe o preconceito, segundo ela. "Os homens sempre querem diminuir a gente, dizendo que lugar de mulher é na cozinha. Só pode ser é medo da concorrência. O meu próprio marido já me disse coisas desse tipo, que um canteiro de obras não era lugar para mim. Já as mulheres ficam admiradas da coragem que eu tive de vir trabalhar em meio a tantos homens", revela Dona Darte.

Moradora do Conjunto Habitacional João Paulo II, sua rotina de trabalho é puxada. "Todo dia preciso pegar três ônibus para ir ao trabalho e outros três para voltar para casa. O primeiro turno é das 7h às 12h, e o segundo turno, das 13h às 15h45. Só em saber que estou tendo essa oportunidade, é muito bom. Vale muito a pena", afirma a pedreira.

Profissionalização

Para adentrar o mercado de trabalho, Dona Darte buscou a profissionalização através dos cursos de instalações hidro sanitárias e de assentamento de cerâmica (pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial - Senai), e de diálogo e gestão (pelo Centro de Referência de Assistência Social - CRAS).

Ainda na sala de aula, Dona Darte começou a colocar em prática o conhecimento teórico, sendo estagiária em uma obra de construção de casas populares, no Bairro Álvaro Weine. Em seguida, veio a oportunidade na obra do Hospital da Mulher.

O salário de R$ 730,00 ajudou a melhorar a condição de vida das 10 pessoas que residem em sua casa. "Hoje, graças a Deus a alimentação da minha família melhorou. Mas, por enquanto, só eu e meu marido trabalhamos e ele ganha o mesmo que eu. Apenas os meus dois filhos mais velhos estão estagiando", comenta a trabalhadora. Ao fim da conversa, Dona Darte, deixa um recado de estímulo para outras mulheres que estão em casa, com vontade de enfrentar o mercado de trabalho em áreas ditas masculinas, mas não tem coragem: "Eu diria que elas saiam de casa para ver como é bom lutar pelo que a gente quer e ignorem os comentários". Na obra do Hospital da Mulher, são 140 trabalhadores. O Programa Mulheres Pedreiras mantém 10 mulheres na obra atualmente.

 

Veículo: Diário do Nordeste
Cidade: Fortaleza
Editoria: Negócios
Coluna: Lívia Barreira
Data: 07/03/10  Pág.8  132cm/col. Tipo de mídia: Portal
 

Endereço

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